A aliança de IA de 29 países da China, e o que ela está comprando
Tradução automática do original em inglês, publicada sem revisão humana. Em caso de dúvida, o inglês prevalece. Se um trecho soar errado, seleccione-o e sinalize-o no fim da página.
A China encerrou a Conferência Mundial de IA em Xangai lançando uma aliança de IA com 29 países. Poucas semanas antes, no G7, Anthropic e Google DeepMind pediam uma coalizão liderada pelos Estados Unidos. Nada disso foi escrito pensando nos governos compradores, o que não é realmente surpreendente assim que se percebe que eles não estavam na sala quando foi redigido. (À margem, essa confusão também é um prato cheio para estudiosos de relações internacionais, transição hegemônica, multilateralismo contestado, forum shopping etc., mas esse seminário pode acontecer sem mim, idealmente organizado por Dawisson Belém Lopes.)
A própria palavra “soberania” é vendida por gente que finge não saber o que ela significa e comprada por gente que de fato não sabe. O diretor-executivo da Nvidia evangeliza a “IA soberana” há cerca de dois anos, argumentando que todo país precisa da própria infraestrutura de IA, assim como um dia precisou de uma rede de telecomunicações. Ele também é quem a vende, o que vale a pena lembrar antes que qualquer ministro assine. “IA soberana”, se aplicado algum rigor analítico, deveria se chamar mercantilismo de computação.
Mas deixando de lado a teoria da dependência, vamos ao ponto prático: o que vincula um governo a um fornecedor não é o chip. É o que acontece depois que o chip chega, quem forma os engenheiros locais, se o próprio pessoal do governo chega a aprender de verdade a operar o sistema, ou se esse conhecimento fica retido na central de suporte do fornecedor. Os empréstimos ferroviários do século dezenove funcionavam com uma lógica semelhante, e a conta muitas vezes era paga bem antes de alguém notar que a bitola dos trilhos, escolhida numa capital estrangeira, ainda ditava que material rodante o país podia comprar décadas depois. A essa altura, já havia deixado de parecer uma decisão estrangeira. Tinha simplesmente se tornado tão notoriamente burro que a maioria de nós ouviu falar disso de algum professor no colégio.
Nada disso é inevitável, e a verdade animadora é que parte do remédio está nas compras públicas, não só na geopolítica. Cláusulas de transferência de conhecimento, cotas de treinamento para engenheiros do governo, portabilidade de modelos e dados, código em custódia: dependências desse tipo podem ser negociadas antes que a tinta seque.
O problema é que nenhum Estado pequeno consegue esses termos negociando sozinho, o que nos leva a uma nota mais positiva: dois blocos disputando o mesmo governo é alavancagem real. O financiamento da Guerra Fria recompensava os governos que resistiam, mas a vantagem encolhe assim que um deles se compromete, e mais rápido ainda quando cada um negocia sozinho. O mundo fora da computação tem o que os dois blocos querem: dados, minerais, energia, mercados de implantação. Essa alavancagem se perde uma assinatura de cada vez. Reunida, foi assim que os países em desenvolvimento conseguiram vacinas acessíveis por meio da Gavi, a Aliança de Vacinas. Então, governos do mundo fora da computação: unam-se, e não assinem sozinhos!
Tiago C. Peixoto · English original · About